segunda-feira, 19 de julho de 2010

A busca de uma solução para AIDS

Por Pe. John Flynn, L. C.

Amigos, depois de um período sem textos, disponibilizo trechos de um artigo desse padre norte-americano sobre o combate à AIDS na África, interessante por mostrar qual a tática de combate a essa praga que realmente dá certo. Aproveitem!

ROMA, domingo, 11 de julho de 2010 (ZENIT.org) - A Igreja Católica é regularmente criticada por se recusar em apoiar o uso de preservativos na luta contra o aumento do HIV e da AIDS. Esta não aceitação não é apenas um sábio ensinamento moral, mas também tem sólidos fundamentos científicos.

Esta é a tese de um livro publicado recentemente pela National Catholic Bioethics Center, com sede na Filadélfia. Em Affirming Love, Avoiding AIDS: What Africa Can Teach the West (Afirmar o Amor, evitar a AIDS: O que a África pode ensinar ao Ocidente), Matthew Hanley e Jokin de Irala consideram os motivos pelos quais os esforços para deter o vírus HIV na África tiveram tão pouco êxito e como isso está relacionado ao ter confiado nos preservativos.

(...)

Os autores começam observando que quase todas as instituições ocidentais que trabalham nesta área compartilham a firme opinião de que as estratégias de redução do risco devem ser prioridade, como a promoção do uso de preservativo. O que denominam de AIDS Establishment se concentrou nos meios técnicos em vez de numa mudança de comportamento.

A exceção disso foi a mudança na política dos Estados Unidos ao adotar a estratégia do ABC, seguindo o êxito de Uganda ao utilizar este sistema para tratar a AIDS. "A" é abstinência, "B" é ser fiel e "C" é o uso do preservativo.

O livro defende que são as duas primeiras partes desta estratégia as cruciais. De fato, em qualquer lugar da África que os índices de HIV abaixaram foram pelos resultados das mudanças fundamentais no comportamento sexual.


Prevenção

Tentar que as pessoas modifiquem seu comportamento não só tem mais êxito mas também, acrescentam os autores, é uma forma de retornar ao princípio da prevenção primária da medicina. A prevenção da transmissão do HIV é urgente em lugares do mundo como a África, onde há graves dificuldades para proporcionar um tratamento médico adequado.

(...)

Por que então, perguntam os autores, quando se trata do tabaco, colesterol, vida sedentária e consumo excessivo de álcool, as autoridades consideram comportamentos que requerem uma mudança, mas o comportamento sexual associado à doença não?

Um problema, associado à confiança na redução do risco através de meios técnicos, ao invés da mudança de comportamento, é que pode levar ao que se denomina de risco de compensação. Isso significa que os benefícios obtidos por meio de algo pensado para reduzir o risco podem ser anulados quando as pessoas voltam ao seu comportamento descuidado.

Os autores apontam que só o cinto de segurança não é garantia de salvação, se alguém acredita que pode dirigir a uma velocidade maior que a indicada, porque está protegido por ele; da mesma forma, a promoção do preservativo pode levar a que as pessoas pensem que é seguro se envolver em uma maior atividade sexual.

Isso é especialmente relevante na África, onde os estudos mostram que quando um número importante de pessoas se envolve em relações sexuais concomitantes, a probabilidade de infecção é muito mais alta, se comparada com as de comunidades onde as pessoas reduzem suas relações múltiplas. Um declínio nas relações sexuais múltiplas é crucial para alcançar uma diminuição do índice de HIV, afirmam os autores.

O melhor exemplo disto é Uganda, onde as taxas de infecção de HVI caíram de 15% em 1991 para 5% em 2001. O que trouxe esta radical variação foi uma importante mudança no comportamento sexual, observa o livro.

"Esta decisão inteiramente racional de evitar o risco de uma doença fatal e traumática alterando o comportamento tem salvado em última instância milhões de vidas", afirmam os autores.


Uso do preservativo

Ainda que o índice de uso do preservativo em Uganda tenha sido similar ao de Zâmbia, Quênia e Malauí, o número de companheiros sexuais "não-regulares" em Uganda diminuiu de modo significativo. Ainda que a porcentagem do HIV tenha baixado em Uganda, não diminuiu nos demais países.

Uma das razões por trás do êxito da modificação da conduta em Uganda, apontam os autores, é o trabalho das monjas e médicos católicos. Um bispo anglicano e um bispo católico estão entre os dirigentes da Comissão para a AIDS do país.

Infelizmente, nos últimos anos, o AIDS establishment ganhou influência em Uganda e a ênfase mudou para a promoção do uso de preservativos. Isso se tem acompanhado de um crescimento da transmissão do HIV.

Quênia, Tailândia e Haiti são outros países que os autores fazem referência para citar as evidências de estudos que mostram como a mudança de comportamento leva a uma redução nos índices de transmissão do HIV.

Pelo contrário, na África do Sul, onde a promoção do uso do preservativo tem sido prioridade, a persistência de altos índices de casais múltiplos ajudou a manter o nível de infectados pelo HIV em um nível que os autores descrevem como de "incidência alarmante".

A ideia da abstinência não combina com a cultura contemporânea, mas Hanley e Irala apontam que, ainda que a fidelidade seja o fator mais importante de êxito na África, a abstinência também é importante.

A abstinência influi no comportamento futuro, argumentam, e quanto mais rápido uma pessoa inicia a atividade sexual, mais parceiros sexuais é provável que tenha ao longo da vida, aumentando assim o risco de contrair HIV.

O livro faz referência a um estudo realizado pela Agency of International Development dos Estados Unidos, que considera as variáveis associadas com o predomínio do HIV em Benim, Camarões, Quênia e Zâmbia.

O estudo conclui que os únicos fatores associados a um menor predomínio do HIV foram um número reduzido de casais ao longo da vida (fidelidade), uma iniciação sexual com idade mais elevada (abstinência) e a circuncisão masculina. O estudo também revelou que o status econômico social e o uso de preservativos não se associavam a um menor predomínio do HIV.

Apesar desta e de outras evidências apresentadas no livro, os autores afirmam que os documentos sobre a AIDS publicados pelas Nações Unidas descrevem o uso de preservativo como a tecnologia mais eficaz para a prevenção da AIDS.


Sexualidade humana

Ainda que este debate sobre como tratar o HIV geralmente seja feito em linguagem científica, Hanley e Irala argumentam que é mais uma oposição entre duas posturas morais e filosóficas diante da sexualidade humana.

No outro lado está a cultura ocidental moderna que exalta a liberdade absoluta na busca do prazer. Isso explica o porquê este posicionamento conceitual busca meios técnicos para tratar as consequências indesejáveis da atividade sexual.

Em 9 de junho, o arcebispo Celestino Migliore, observador permanente da Santa Sé nas Nações Unidas, dirigiu um discurso à Assembleia Geral sobre o tema do HIV/AIDS.

"Se desejamos combater a AIDS de forma realista, enfrentando suas causas mais profundas, e desejamos dar aos enfermos o cuidado amoroso de que necessitam, é necessário que proporcionemos às pessoas algo mais que conhecimento, capacidade, competência técnica e ferramentas", afirma.

Ele recomendava que fosse dedicada mais atenção e recursos para apoiar uma postura baseada em valores em linha com a dimensão humana da sexualidade.

Precisamos, continuou, de uma "avaliação honesta das situações do passado que podem ter sido baseadas mais na ideologia do que na ciência e valores, e uma ação decidida que respeite a dignidade humana e promova o desenvolvimento integral de todas e cada uma das pessoas da sociedade".

Um apelo a todos para colocar de lado seus preconceitos e ideias preconcebidas ao enfrentar este grave problema.

domingo, 13 de junho de 2010

Formação ética - A consciência e O coração

Esse é o texto final da série de formação ética. Quem quiser os textos completos, pode pedir a um assessor.
Partes 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7
e 8.


19 A consciência

Pela consciência temos um potencial à disposição, algo como uma sublime referência. É como uma sintonizadora com o desejo e a vontade de Deus a fim de guiar-nos para Ele. Mas também este potencial exige cooperação, pois a consciência deve ser cuidadosamente formada, em nosso caso, segundo critérios cristãos. Dependendo de como se molda a consciência, teremos o benefício ou o prejuízo da pessoa. A formação da consciência é a parte mais delicada na educação, pois trata-se da sintonização entre a alma humana e seu Criador.


O educador esclarecido, que ama e respeita seus educandos, intenta conduzi-los a sua realização plena, definitiva e implantar nos seus corações a verdade que Deus os ama. Quando o educando passa a crer, saber e sentir que Deus o ama, desfazem-se as angústias, neuroses, medos... Ele liberta-se de uma consciência mal formada.


A consciência tem muito a ver com o amor. A pessoa sente quando faz algo não motivado pelo amor.


Percebe-se mais uma vez que toda formação ética, sem uma referência última, seria muito limitada porque não satisfaz a alma humana que tem a tendência inerente de chegar aonde partiu. Isto não significa que não se acentue a ética na formação, especialmente quando o educando está num estágio em que não é motivado pelos assuntos religiosos.



20 O "coração"


A palavra "coração", freqüentemente usada, é uma expressão de diversos significados. Salientamos aqui três que, em relação ao nosso assunto, mais nos interessam.


Por "coração" podemos entender o núcleo da personalidade, o "lugar" para onde, na pessoa, tudo converge: o eu, a individualidade, a identidade, a característica...


Por "coração" pode-se entender também todo complexo do inconsciente da pessoa. Este determina especialmente as reações espontâneas e marca, desta forma, o estilo do seu comportamento.


Em terceiro lugar pode-se entender por "coração" a harmonia entre o "animal" e o "anjo". Isto é quando o potencial do espírito humano e do animal humano estão concordando e puxando para o mesmo lado. Em alemão se usa, para esta situação, o termo "Gemüt".


Especial: CQC Schoenstattiano, exibido no II Encontro Nacional

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Formação ética - Os instintos e O costume

17 O instinto

O homem possui paixões. Também o animal possui paixões. No homem as paixões são guiadas pelo espírito e no animal pelo instinto. Como o espírito do homem é livre, ele pode optar e sujeitar-se às paixões. O homem tem liberdade de fazer as coisas de uma ou de outra maneira, de dizer sim ou não. O instinto não é livre. O animal é guiado pelo instinto sem poder optar. Trata-se de um destino absoluto.

Aqui é preciso esclarecer os termos. O que nós denominamos "paixão" denomina-se em diversas publicações com os termos "instinto" ou "impulso". Esta diferença causa uma certa confusão. A Igreja Católica optou pelo termo "paixão" (Catecismo da Igreja Católica nº 1762) e a este aderimos.

Há uma grande diferença entre paixão e instinto. A paixão é que movimenta, o instinto é que guia. Se o homem, então, não tem instintos e também não se guia pelo espírito, as paixões estão soltas e procuram saciar-se desordenadamente.

O cultivo do espírito, por isso, é de suma importância. É preciso adquirir um espírito esclarecido, lúcido, atento, forte e sujeito a Deus. Se não há empenho nisto, as paixões reinarão facilmente sobre o espírito e o homem pode chegar a procedimentos abaixo do nível do animal.

18 Os costumes

Os bons costumes são fieis companheiros do nosso espírito, pois ele sozinho não seria capaz de guiar as paixões, a cada instante.

O costume é quase algo como um instinto que guia. Ou falando na linguagem da informática: é algo como um "sistema operacional" que está sempre em ação quando se trabalha com os programas.

Costumes podem ser introduzidos, abandonados, alterados. Se quiséssemos fazer uma pesquisa sobre costumes por nós praticados, iríamos descobrir que nos guiamos, em boa parte, por costumes estabelecidos há gerações.

Os nossos costumes são bons? Costumes de princípios cristãos? Costumes que correspondem à ordem do ser, ao homem novo? Não está na hora de repensar e renovar este "sistema operacional" para corresponder às exigências do tempo?



Música: Como um niño



quinta-feira, 3 de junho de 2010

Formação ética - O pudor e A vontade

15 O pudor

O pudor é um recurso para contrabalançar as paixões.

As paixões são rápidas. O espírito é lento. Até o espírito chegar a definir-se, as paixões já agiram. São Paulo se queixou: "O que quero, não faço e o que faço, não quero". As paixões são impulsivas, desafiam o espírito.

Deus sabe deste problema, surgido após o pecado original e deu-nos, por isso, uma "contrapaixão" que chamamos de pudor. Este pudor, esclarecidamente cultivado, age tão rapidamente como as paixões. Quando elas querem nos levar a atos menos nobres ou pecaminosos, o pudor as retêm com rapidez e força, para evitar o pior. A pessoa sente vergonha.

Há quem não sinta vergonha porque ela foi extirpada do coração. Há quem acredita poder canalizar as paixões somente com o espírito. Desta forma criam-se pessoas sem pudor e sem vergonha.


16 A vontade

A vontade pertence ao espírito. Mas quando se diz: "Tenho vontade de tomar uma cerveja", trata-se de uma vontade que não pertence ao espírito. Uma é força espiritual de decisão e de execução, a outra é uma paixão. Pode acontecer que eu tenha vontade de tomar uma cerveja mas a vontade-espírito decide: não é hora de to-mar cerveja.

Pela ordem do ser, a vontade-espírito tem que submeter as paixões e submeter a si mesmo a Deus. E as pai-xões estão dispostas a sujeitar-se à vontade-espírito na medida em que a vontade-espírito sujeita-se a Deus.

Com a vontade-espírito decidimos as coisas e as executamos. Ela é livre na decisão mas limitada na execução. Isto é, podemos decidir; se, porém, conseguiremos realizar as decisões é depende de muitos fatores so-bre os quais temos pouca ou nenhuma influência.

Neste assunto a liberdade está em jogo. Quanto mais coincidimos com a concepção de Deus, tanto mais li-vres somos, pois Deus é o absolutamente livre e, decidindo-nos por Ele, participaremos de Sua liberdade. A vontade-espírito, então, deve ter por acorde fundamental orientar-se nos desejos e planos de Deus e procurar realizá-los.


Música: Contigo María

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Formação ética - Paixões predominantes, o grau de intensidade e o valor moral das paixões

12 Paixões predominantes


Normalmente predomina um grupo de paixões. Uma pessoa tem mais fortes paixões concupiscíveis e a outra, mais fortes paixões irascíveis. Uma está mais em busca do amor e a outra da honra.


Para a pessoa definir seus ideais e metas é importante saber qual é a sua paixão predominante, pois ela é a tendência fundamental, a condição de sua natureza e esta indica precisamente o campo de trabalho em que a pessoa possa se realizar, indica para a profissão a escolher e a missão a assumir, enfim, indica para o Ideal Pessoal que Deus tem em mente sobre cada pessoa.


Precisamos descobrir a estrutura do nosso próprio ser para poder definir-nos e agir de acordo.

Quando visamos um ideal e seguimos uma atividade que corresponda a nossa natureza, ficamos felizes e conseguimos produzir bons resultados.



13 O grau de intensidade das paixões


O grau de intensidade das paixões é muito ligado à fantasia. De acordo com sua atividade, as paixões agem com mais ou menos intensidade.


Então, a própria lógica nos sugere que é preciso trabalhar a fantasia. Mas ela, por sua vez, é depende dos dados arquivados na memória e do ambiente em que a pessoa se encontra. Quando a fantasia, por exemplo, dispõe de uma memória e de um ambiente repleto de dados de baixo nível, o que ela com sua criatividade vai produzir? - e, consequentemente, com que intensidade as paixões vão entrar em ação? - O resultado final poderá ser desastroso...


Do contrário, quando a fantasia encontra um ambiente e uma memória de elevado espírito, de sublimes ideais, de pureza, de amor, de esperança, de cultura, de um estilo que aspira ao alto em busca de qualidade... as paixões, com alto grau de intensidade empenharão todo o seu potencial para o bem. Muitos exemplos de vida provam que é possível disciplinar a fantasia e colocá-la a serviço das paixões que elevam ao alto, ao bem.



14 O valor moral das paixões


O valor moral das paixões é visto por duas posições divergentes. De um lado - atribuindo-lhes grande valor - procura-se estimulá-las o quanto possível e, de outro lado, - dando-lhes nenhum valor - procura-se reprimi-las.


A Verdade está no meio. As paixões são forças neutras. Não têm valor moral por si mesmas, são indiferentes. São um dom de Deus que se torna bom ou mau pela decisão da parte superior do homem, o espírito.


Para ter culpa ou mérito é necessário uma livre decisão, é preciso querer ou não querer, é preciso querer isto ou aquilo. Por isso, quando as paixões se manifestam simplesmente, não se tem culpa e nem mérito.


As paixões, devem ser encaradas como forças valiosas e necessárias para construir a personalidade humana. Mas as mesmas forças podem ser usadas para destruir a personalidade, podem ser usadas para atos criminosos. Sem paixões, nem santos e nem criminosos existiriam no mundo.


É preciso, desde cedo, canalizar estas forças. O trabalho já começa com a educação do nenê (mais precisamente com a educação do pai e da mãe do nenê) e será necessário ainda na velhice. É uma investida sem trégua e sem férias durante a vida toda. A luta vai até o fim e lá nos espera a coroa da vitória.


Uma história de amor (composta por Almir Cordeiro - JUMAS São Paulo)



sábado, 22 de maio de 2010

Formação ética - Paixões concupiscíveis e irascíveis

10 As paixões concupiscíveis


Uma fruta excita meus sentidos externos; a base de experiências anteriores ela foi identificada pelos sentidos internos como agradável; começa exercer uma atração; está ativando as paixões concupiscíveis; a atração fica cada vez mais forte e um movimento passa pelo corpo, pelas pernas, pelos braços, pela mão e quando se vê, a pessoa está saboreando a fruta com satisfação.

O contrário acontece quando o objeto não atrai, mas repele. Sente-se, por exemplo, aversão frente a uma pessoa e isto faz-nos fugir dela. E, quando se dá um encontro inesperado com esta pessoa, sente-se dor.

Podemos resumir este processo das paixões concupiscíveis em duas palavras chaves: amor e ódio.

O amor desenvolve-se entre agrado, desejo e satisfação.

O ódio desenvolve-se entre aversão, fuga e dor.



11 As paixões irascíveis


Qual é o recurso que possuímos frente a um bem difícil de adquirir ou um mal difícil de evitar? Para este desafio podemos contar com as paixões irascíveis.

Tenho esperança de formar-me. Esta esperança produz audácia que enfrenta as dificuldades. E quando preciso vencer uma situação em que tudo parece barrado, uma ira construtiva me impulsiona e me leva em frente.

Quando as dificuldades são muito grandes pode invadir-me o desespero e produzir medo e este pode chegar a uma ira destrutiva.

As paixões são potenciais indiferentes que nos capacitam para o bem ou para o mal.



Mas allá del mar



segunda-feira, 10 de maio de 2010

Formação ética - "A razão" e "As paixões"

Parte 1

Parte 2

Parte 3



08 A razão


Nossa razão é dependente dos dados captados e trabalhados pelos sentidos externos e internos. Ela cria uma idéia das coisas e as caracteriza, por exemplo, com um nome; é capaz de planejar e na sua atividade, serve-se especialmente do potencial e dos dados dos sentidos internos.

No caso de se dispor de uma memória plena de dados valiosos e positivos e de uma fantasia pura e disciplinada, a crazão tem como criar obras de valor. Do contrário, de uma memória cheia de imundícies e de uma fantasia solta e desviada, as criações da razão serão de acordo com esta condição. A idéia formada pela razão expressa-se em múltiplas formas: pela palavra, por desenhos, por objetos artísticos, pela música, etc. As obras do homem e o ambiente que cria em torno de si são um espelho do seu interior.

Com os sentidos captamos as coisas concretas. Com a razão podemos abstrair o concreto. Dizemos, por exemplo, "casa" sem pensar numa casa concreta. Dizemos "homem" sem pensar numa pessoa concreta mas referindo se ao homem e a mulher como tal.

É muito importante que tenhamos uma idéia abstrata das coisas sem pensar no concreto: uma idéia do homem, uma idéia da mulher, uma idéia da sociedade, uma idéia do trabalho, uma idéia da vida, etc.



09 As paixões


Se corpo e alma possuíssem somente sentidos e razão, nada iria acontecer no mundo. Sentidos e razão nada modificam, somente reconhecem. Não haveria nenhuma ação além de acumular dados.

Para transformar o reconhecimento em ação, possuímos as paixões (Leidenschaften, Triebe) e a vontade (Wille). As paixões, estimuladas pelos dados que os sentidos lhes fornecem, agem de dentro para fora e intervém no mundo.

As paixões são as forças motrizes que podem levar a pessoa a incríveis ações: amores, conquistas, artes, explorações, caridade, ódios, construções, guerras, etc.

É preciso guiar e dirigir as paixões a objetivos nobres. Elas sozinhas não tem parâmetros, não têm regras, são forças apenas, é potencial de vida, é vitalidade, tendência a expansão... As paixões precisam do espírito para guiá-las.

Percebe-se aí a importância do conhecimento desta matéria para poder organizar-se e para aproveitar positivamente estas forças.

Dividimos as paixões em dois grupos: as paixões concupiscíveis e as paixões irascíveis e que serão abordadas no próximo texto.




El que muere por mí